Mostrando postagens com marcador Leishmaniose. Mostrar todas as postagens

Mesmo com decisão judicial, veterinários continuam orientados a sacrificar cães com leishmaniose



O Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) adiantaram ao UOL que permanecem com a orientação a donos de cães e médicos veterinários que não tratem animais portadores de Leishmaniose visceral. 

A Eutanásia continua sendo a indicação recomendada, mesmo depois de uma decisão proferida pela quarta turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região nesta quinta-feira (17), favorável ao tratamento dos animais. 
Tanto o ministério quanto o conselho devem se posicionar oficialmente na tarde desta sexta-feira (18). 

Ainda cabe recurso à decisão do tribunal. Na prática, ela permite o descumprimento, em todo o país, da portaria 1.426, de 11 de julho de 2008, em que os Ministérios da Saúde e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) proíbem o tratamento da Leishmaniose visceral em cães infectados ou doentes com produtos de uso humano ou que não tenham registro federal. 

O acórdão, assinado pelo desembargador federal André Nabarrete, acata a argumentação do advogado Wagner Leão, da Organização Não-Governamental Abrigo dos Bichos, com sede em Campo Grande (MS). A ação é de 2008. 
O despacho esclarece que a portaria interministerial é ilegal, pois "extrapola os limites tanto da legislação que regulamenta a garantia do livre exercício da profissão de Médico Veterinário, como das leis protetivas do meio ambiente". 

Os magistrados entenderam que o Médico Veterinário tem liberdade para prescrever o tratamento que considerar mais indicado. Vedar esse direito seria, no entendimento dos juízes, ir de encontro à proteção da fauna, como preveem a Constituição Federal e a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, de Bruxelas, da qual o Brasil é signatário. 
"Pouco apreço pela vida ou por aquilo que a pressupõe significa descomprometimento com o futuro", finaliza o acórdão. 

Ética 

O CFMV informou que condena o tratamento da Leishmaniose visceral canina, reforçando que o profissional que insiste na prática fere o código de ética e desrespeita o decreto 51.838, de 1963, que determina a "eliminação dos animais domésticos doentes". 

Segundo o conselho, não há tratamento seguro e, sem cura comprovada, o animal continua sendo hospedeiro do parasita que causa a Leishmaniose. 
Um levantamento realizado com base em números do Ministério da Saúde revela que a Leishmaniose provocou 2.609 mortes no Brasil entre 2000 e 2011. O número supera o de mortes por dengue em nove Estados brasileiros. 

Scooby 

A decisão da justiça federal foi a segunda vitória na semana dos defensores do tratamento de cães com Leishmaniose, em geral, e da ONG Abrigo dos Bichos, em particular. 
Na terça-feira, a entidade obteve decisão favorável da Justiça de Mato Grosso do Sul para ficar com o cão Scooby, símbolo da luta dos que são contra o sacrifício de animais contaminados. 

Em julho de 2012, Scooby foi arrastado pelo dono até o Centro de Controle de Zoonoses de Campo Grande. Além dos maus tratos, foi diagnosticada a Leishmaniose. O cão seria sacrificado, mas representantes da ONG encabeçaram uma campanha nas redes sociais para livrá-lo da Eutanásia. 
A repercussão foi tão grande que o prefeito à época, Nelson Trad Filho, permitiu que Scooby fosse tratado, decisão corroborada essa semana pela justiça estadual. 

"Foi uma vitória, principalmente para os médicos veterinários", comemora a presidente da ONG, Maíra Kaviski Peixoto. Ela considera que a interpretação da portaria interministerial é equivocada. 
Maíra explica que, apesar de os medicamentos ministrados para cães com Leishmaniose serem de uso humano, eles não estão no protocolo de tratamento de pessoas portadoras da doença. "Além disso, hoje se questiona o papel do cão na transmissão da doença", acrescenta. 

Cassação 

O tema polêmico chegou a provocar a cassação do mandato da presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul (CRMV-MS), em dezembro do ano passado. 
Sibele Cação defende publicamente o tratamento de cães doentes, o que motivou a representação do Ministério Público Federal, encaminhada ao CFMV 




read more →

Saiba o que é: Leishmaniose Visceral Canina



A Leishmaniose visceral canina é uma doença grave que acomete vários mamíferos, transmitida por um protozoário que tem o nome científico de Leishmania chagasi (infantum). O seu principal transmissor (vetor) é um inseto (flebotomíneo), da espécie Lutzomyia longipalpis, também conhecido como “mosquito palha”. O contágio em cães e no homem ocorre através da picada do inseto infectado.

O cão é considerado um importante reservatório do parasita pela sua proximidade com o homem e constitui o principal elo na cadeia de transmissão de Leishmaniose visceral nas zonas urbanas. Há outros animais silvestres que podem servir de hospedeiros intermediários desta doença, mas é impossível pegar a doença por contato direto com esses animais.

A Leishmaniose não é transmitida através de lambidas, mordidas ou afagos. O contágio ocorre somente através da picada da fêmea infectada do “mosquito palha”.

Mapa da leishmaniose visceral humana no Brasil

Abaixo podemos ver as principais áreas de risco da Leishmaniose visceral humana. E no caso da Leishmaniose visceral canina as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, são as mais prevalentes, porem a doença tem avançado também nos Estados da região Sudeste.





Principais sintomas

O aparecimento dos primeiros sintomas da Leishmaniose, após a transmissão pela picada do “mosquito palha”, pode demorar semanas ou até alguns anos; cerca de 20% dos animais infectados podem nunca manifestar sintomas. A maioria dos animais aparenta estar saudáveis na época do diagnóstico clínico, mas quando desenvolvem a doença podem apresentar os seguintes sintomas:

- Apatia (desânimo, fraqueza, sonolência);
- Perda de apetite;
- Emagrecimento rápido;
- Feridas na pele, principalmente no focinho, orelhas, articulações e cauda (que demoram a cicatrizar);
- Pelos opacos, descamação e perda de pelos;
- Crescimento anormal das unhas (onicogrifose) com o avanço da doença;
- Aumento abdominal (“barriga inchada” pelo aumento do fígado e do baço);
- Problemas oculares (olho vermelho, secreção ocular);
- Diarreia, vômito e sangramento intestinal.





Diagnóstico

Ainda não existe um método de diagnóstico que seja 100% específico para identificação da Leishmaniose visceral canina. Porém, a associação dos vários métodos disponíveis permite a obtenção de diagnósticos com boa sensibilidade e especificidade. Ao observar que seu animal está com sintomas que podem ser indicativos de Leishmaniose, é importante que você consulte um veterinário de sua confiança o mais rápido possível.

O diagnóstico da Leishmaniose é complexo e requer a realização de vários exames laboratoriais associados ao exame clínico para se chegar a um resultado definitivo. Geralmente, são realizados exames iniciais de triagem, chamados exames sorológicos (ELISA e RIFI) e depois devem ser solicitados os exames parasitológicos ou moleculares para confirmar a infecção. Não existem métodos de diagnóstico que sejam 100% confiáveis.

Portanto, recomenda-se:


Utilizar sempre mais de um método diagnóstico durante o exame de um animal suspeito de estar com Leishmaniose visceral canina, pois o uso isolado de determinada técnica pode dar margem à ocorrência de falsos negativos ou falsos positivos.

Peça ao veterinário que acompanhe a etapa de coleta do material para garantir que a mostra seja adequadamente coletada e conservada, e que seja enviada a um laboratório credenciado e de confiança.

Sempre realizar um exame parasitológico ou molecular para confirmar a infecção.
Como você pode ajudar?

Como a Leishmaniose visceral canina é uma doença grave e seu tratamento é complexo, a prevenção é a estratégia mais recomendada para o controle dessa doença.

O controle do inseto transmissor é considerado a melhor opção na luta contra a doença, segundo a Fundação Nacional da Saúde.


Cuidado com áreas de potencial contágio:

- Os donos dos cães devem observar alguns cuidados em áreas úmidas ou de decomposição de lixo:

- Evitar acúmulos de lixo no quintal e descartar o lixo adequadamente: é uma maneira de contribuir para a saúde do meio ambiente e ao mesmo tempo evitar a proliferação dos mosquitos.
- Manter o ambiente do cão, o quintal ou a varanda sempre limpos, livre de fezes e acúmulo de restos de alimentos e folhagens.
- Manter a grama e o mato sempre cortados, com retirada de entulhos e lixo, evitando a formação de uma fonte de umidade e de matéria orgânica em decomposição.

- Utilizar spray repelentes ou inseticidas ou cultivar plantas com ação repelente, como a citronela ou neem, no ambiente.


Medidas para proteger o seu cão da leishmaniose visceral canina:

- Vacine o seu cão anualmente com vacinas específicas para a Leishmaniose. Atualmente existem duas vacinas licenciadas pelo MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: a Leishtec® e a Leishmune®

- Utilize coleiras impregnadas com inseticidas (Scalibor®: trocar a cada seis meses) ou produtos spot on (solução em gotas aplicadas topicamente) de ação prolongada, que devem ser reaplicados a cada mês, inclusive ao transportar os animais para outras regiões

- Evite passeios com o seu cão no final da tarde e início da noite, que é o horário de maior atividade do mosquito palha

- Use telas de malha bem fina no canil ou na casinha do cachorro, nas portas e janelas de sua casa

- Utilize plantas com ação repelente a mosquitos (como citronela e neem)

- Manter o abrigo do seu cão sempre limpo, sem fezes ou restos de alimento.
Conheça a legislação sobre Leishmanioses.

Faça o download do folder e divulgue para os seus amigos e na redes sociais todas as recomendações e esclarecimentos sobre a Leishmaniose visceral canina. >>

PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 1.426, DE 11 DE JULHO DE 2008 , que proíbe o tratamento de leishmaniose visceral canina com produtos de uso humano ou não registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

DECRETO Nº 51.838, DE 14 DE MARÇO DE 1963 , que baixa normas técnicas especiais para o combate às leishmanioses.


FONTE: WSPA BRASIL



read more →

Após 7 anos de convivência, idosa chora e entrega cadela para ser sacrificada no CCZ


Entre a movimentação diária de animais no CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Campo Grande (MS), uma cena triste. Não para os funcionários, acostumados a receberem cães e gatos doentes para serem vacinados ou sacrificados, mas para quem viu uma senhora solitária com diagnóstico de câncer entregando para tratamento sua companheira, uma cadela Fila brasileiro que segundo ela estaria com a mesma doença.

A reportagem do Midiamax chegava naquele momento e presenciou a aposentada chorando e dando o último adeus a sua cadela.

”Um dia Deus irá me explicar o que está acontecendo. Todas as vezes em que eu ficava doente, a minha filha (a cadela) também ficava. E desde que descobri em mim um tumor no peito, do lado esquerdo, ela começou a ficar doente. Tomava o mesmo antibiótico forte que eu, era minha companheira e agora não sei o que vou fazer sem a minha filha”, diz a aposentada Vanir Coffacci, 63 anos.

A fila brasileiro viveu sete anos ao lado da D. Vanir. Enquanto fazia tratamento da doença, com quimioterapia, a cadela ‘cuidava’ da casa. “Nesses últimos dias ela resistia, mas ainda se mostrou minha parceira, ficando brava com qualquer um que se aproximava de mim. Estava se alimentando aos poucos, a cada três horas e qualquer coisa parecia difícil segurar em seu estômago”, conta a aposentada.

Na noite da última quinta (16), o quadro se agravou. “Fui levar um mingau de aveia pra ela e, ao descer o vasilhame, percebi que ela estava sangrando em cima do rabo. Peguei o spray, achando que fosse por conta de alguma coceira, mas o sangue não parava. Aí tentei a ajuda de vizinhos para leva-la ao CCZ, mas ninguém pôde e aguardei o outro dia tomar uma providência”, diz aos prantos a idosa.

Na sexta-feira (18), por volta das 9h, ela já estava lá no CCZ. Tirar o animal do carro para colocar em uma gaiola parecia uma tarefa impossível. A cadela resistia, parecia estar sabendo o seu destino e foi necessário a ajuda de três pessoas para a sua retirada.

Por fim, a aposentada preencheu um formulário e se despediu da ‘filha’. “Era uma cadela amiga, sentia uma coisa inexplicável por ela. Pra mim é uma filha que estou deixando pra matar”, lamentou a idosa.

Após a idosa ir embora, levando apenas a focinheira como lembrança, a veterinária explicou o verdadeiro diagnóstico do animal.

“A cadela não tem câncer assim como ela acha, mas Leishmaniose (doença crônica transmitida ao cão e ao homem pela picada de uma mosquito). E fragilizada por conta da doença a idosa passa a acreditar em coisas que na verdade não existem. Infelizmente, por ela estar com baixa imunidade, não poderia mais conviver com um animal também doente, seria perigoso para a sua saúde. É triste, mas é a realidade”, concluiu a veterinária Iara Helena Domingos.



Fonte: MidiaMax


NOTA:
Casos tristes como esse acontecem por dois motivos: a política determinada pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, de mandar matar cães portadores da leishmaniose visceral, não respeita os cães como sujeitos de direito nem seus tutores, que são forçados a enviá-los à morte nos CCZs; e falta no Brasil uma campanha permanente de esclarecimento e conscientização sobre a leishmaniose, preferindo-se omitir informações à população e recorrer à política do “matar é mais fácil”. Se a senhora que acabou entregando à morte a cadela tivesse sido conscientizada pelo poder público e este promovesse uma ação realmente digna e humanitária contra a proliferação da doença, esta não teria sido dada ao destino da morte violenta. Agora tanto a cadela foi privada de sua vida como a idosa corre o risco de ter seu câncer piorar ainda mais por causa do abalo emocional, graças à política obtusa e nada educativa do poder público contra a leishmaniose. No mais, são necessárias políticas de educação e informação e também de higiene e combate ao mosquito vetor da leishmânia. O extermínio deve ser abolido o quanto antes, para que os animais e seus tutores parem de sofrer por causa do descaso governamental.

Fonte da nota: Anda News

read more →